09 fevereiro, 2026

Cumulonimbus

Nunca fui de garoas…

Prefiro temporais, desses que nos encharcam e nos desmancham inteira, fazendo restar somente aquilo que de firme e real há em nós.

Não me contento com chuvas finas…

Prefiro que molhe por inteiro, ou então não molhe nada, me deixe em ambiente controlado, protegida do frio e dos arrepios sentidos, sempre que a chuva se vai.

Sou dada à tempestades, enxurradas, ciclones extra tropicais, fenômenos que vêm de repente e mexem com tudo, tirando as coisas do lugar. 

Poderia aceitar nuvens passageiras, dessas que ameaçam chover e se vão, mas elas não tem presença, lhe faltam intensidade e eu, eu sou a própria cumulonimbus.

10 dezembro, 2025

Eu já sabia que não seria você

Eu já sabia que não seria você…

Eu já sabia que não seriam seus beijos, já sabia que não seria seu toque, eu já sabia que não seria você.

Mas então porque está tão difícil? Porquê eu não consigo aceitar o que já estava bem na minha frente? Porquê dói tanto enxergar essa verdade iminente? Porquê pensar em você tem me feito sentir à beira de mais um precipício? 

Eu já sabia que não seria eu…

Eu já sabia que não seria meu o seu sorriso, já sabia que não seria por mim os olhos brilhando, eu já sabia que não seria eu.

Então porque é que lá no fundo, eu me permiti pensar o contrario? Porquê eu não passei por cima desse sentimento arbitrário? Porquê eu me deixei levar pelo engano? Porque é que simplesmente eu não segui o plano?

Eu já sabia que não seria você e eu já sabia que não seria eu… mas lá no fundo (e talvez nem tão no fundo), eu queria que fosse! 


04 novembro, 2025

Sem-Ti-Dó

🎨: Muhammed Salah

Saboto meus sentidos um a um, deixando-os crer precisar de você.

Pois meu olfato busca pelo teu cheiro oceano

Meu tato anseia pelo teu abraço que cura

Minha audição só escuta o seu falar puritano

E meu paladar sente o gosto dos lábios que me negam em sensura.

Mas, de todos os sentidos, aquele que mais sofre é a visão.

Ah, minha visão…

É ela quem enxerga seu sorriso aconchego

Quem se derrete ao encontrar com seu olhar castanho fel

Quem vê você partilhar do seu amor em segredo

E quem lê cada um dos versos desse amor posto em papel.

Saboto meus cinco sentidos,

Que um a um compreendem que, sentir, dói,

Mas sem-ti-dó…

13 julho, 2025

Caramelo Salgado

Eu gosto do seu sorriso alinhado e da forma como ele me encontra e também me faz sorrir.

Gosto do seu olhar cintilante de menino travesso, dos cílios alongados e curvos e de como observa atento todos os meus gestos e expressões.

Me encanto com a sua fala eloquente, seu dom de manter qualquer assunto e a forma espontânea e distraída de agir.

Me perco nas curvas firmes de cada músculo, na beleza do seu tom caramelo salgado e nas veias que pulsam evidentes por toda sua extensão.

Gosto de me aninhar em teus braços, me encaixar no seu corpo e sentir o calor das tuas mãos ao tocar minha pele.

Me derreto com seu tom de voz sôfrego sussurrando em meu ouvido ao desarmar sua postura por completo e se entregar totalmente a mim.

04 novembro, 2024

Caos

🎨: @ltg.art
Abracei meu caos
Aceitei minhas falhas
Me organizei na bagunça 
Flertei com o viver

Me reconciliei com a tristeza 
Aprendi a dançar com o medo
Tirei das minhas feridas, a cura
Fiz do meu crepúsculo, amanhecer

30 outubro, 2024

Dicotomia


“Parece que a gente mudou muito desde a ultima vez... Muito mesmo!”

Certa vez, em um de seus textos, você escreveu isso pra mim e, não sei se por ironia ou brincadeira do destino, aqui estamos nós mais uma vez.

Dessa vez você disse ter pensado “ela não mudou nada, parece a mesma da última vez!”. E eu ri com o que considerei loucura saindo da sua boca.

A dicotomia dos tempos não fez mudar o lampejo ou a tensão incomoda que nos permeou sempre que nos fizemos próximos.

Nossa conexão é real, viva e atravessa gerações. Com você eu vivi a dor, o torpor, o medo, a angústia e as incertezas do primeiro amor.

Sem você aprendi a calmaria, a construção, o reconhecimento de uma nova forma de sentir e gostar.

Hoje, em conformidade com os anos te afirmo: “sim eu mudei muito desde a última vez…muito mesmo”, você também mudou.

O curioso da dicotomia entre nossos tempos passado e presente é que, em meio a todas as nossas mudanças de um pretérito nem um pouco perfeito, é que ainda sabemos nos enxergar e nos reconhecer em nós .

20 agosto, 2024

Essa foi a última vez


🎨: @fridacastelli

Essa foi a última vez...
O último toque, o último beijo,
O último suspiro de satisfação.

Essa foi a última vez...
A última música, a última noite,
A última chance de tentar uma conexão.

Essa foi a última vez...
Acabaram as conversas, as brincadeiras,
Chegamos na fase derradeira 

Essa foi a última vez... 
E que de agora em diante, 
Não sejamos nunca mais um talvez!