30 outubro, 2024

Dicotomia


“Parece que a gente mudou muito desde a ultima vez... Muito mesmo!”

Certa vez, em um de seus textos, você escreveu isso pra mim e, não sei se por ironia ou brincadeira do destino, aqui estamos nós mais uma vez.

Dessa vez você disse ter pensado “ela não mudou nada, parece a mesma da última vez!”. E eu ri com o que considerei loucura saindo da sua boca.

A dicotomia dos tempos não fez mudar o lampejo ou a tensão incomoda que nos permeou sempre que nos fizemos próximos.

Nossa conexão é real, viva e atravessa gerações. Com você eu vivi a dor, o torpor, o medo, a angústia e as incertezas do primeiro amor.

Sem você aprendi a calmaria, a construção, o reconhecimento de uma nova forma de sentir e gostar.

Hoje, em conformidade com os anos te afirmo: “sim eu mudei muito desde a última vez…muito mesmo”, você também mudou.

O curioso da dicotomia entre nossos tempos passado e presente é que, em meio a todas as nossas mudanças de um pretérito nem um pouco perfeito, é que ainda sabemos nos enxergar e nos reconhecer em nós .